Por meio de políticas públicas eficientes, com vistas ao bem-estar de sua população, a Noruega, por vários anos consecutivos, tem ocupado a primeira colocação no ranking dos países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Como todos os serviços oferecidos pelo governo funcionam de forma adequada, a gestão dos resíduos sólidos não poderia ser diferente.
Para começar, o governo norueguês envia todo ano pelos correios, gratuitamente, um kit de coleta seletiva, composto por: dois rolos de sacos biodegradáveis, produzidos a base de milho; uma caixinha de papelão para comportar pilhas e baterias; e um folder com informações como, por exemplo, dicas de reaproveitamento de materiais que iriam para o lixo, orientações de como descartar todos os tipos de resíduos, endereços de pontos de coleta, entre outras tantas que mobilizam os cidadãos para que contribuam para a correta gestão dos resíduos no país.
Os resíduos na Noruega são separados, basicamente, em três categorias: papel, orgânico (que deve ser acondicionado nos sacos biodegradáveis distribuídos pelo governo) e restante (vidro,metal e plástico). Para os resíduos perigosos, a prefeitura dispõe de um serviço de coleta especial que pode ser agendado por telefone. A logística reversa funciona perfeitamente, tornando as lojas – inclusive as de brinquedos! – responsáveis por receber de volta os materiais que venderam.
Após o material ser separado na fonte geradora, é hora do caminhão de coleta recolher os resíduos nas centrais localizadas nos condomínios e espalhadas pelas cidades. Essas centrais possuemsensores que avisam o momento em que estão cheias, otimizando assim o transporte dos resíduos e, por conseqüência, reduzindo as emissões de carbono dos caminhões de coleta.
Em Stavanger existe um Ponto de Entrega Voluntária (PEV), muito interessante, administrado pela empresa IVAR. Certificada tanto pela ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental), como pela ISO 9001 (Qualidade), a empresa trabalha em 12 municípios da Noruega, com uma população total de aproximadamente 300 mil pessoas.
Nesse PEV, a partir do pagamento de uma taxa de 100 coroas norueguesas (uns R$ 30) para pessoas físicas e 300 coroas (uns R$ 90) para pessoas jurídicas, pode-se entregar qualquer tipo de resíduo – os resíduos perigosos podem ser entregues sem pagamento dessas taxas. A empresa recebe os seguintes materiais: papel, papelão, plástico, isopor, metais, madeira limpa, madeira tratada, roupas (contêiner do Fretex, que é um tipo de brechó na Noruega), vidro, pneus, baterias de carro, resíduos perigosos (tintas, colas, vernizes solventes), resíduos de poda, pedra, cascalho, solo, eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Todas essas categorias listadas possuem um contêiner específico para a armazenagem do material.
No mesmo espaço, a empresa disponibiliza um local, o Byttebu(Cabana de Troca, em português), onde é possível deixar materiais que ainda podem ser reaproveitados por outras pessoas. Qualquer um pode pegar coisas, sem necessidade de deixar algo em troca. Geralmente, são deixados no local produtos como: ferramentas, brinquedos, utensílios domésticos, equipamentos eletroeletrônicos, livros, móveis, artigos esportivos e objetos de decoração.
Além de fazer a triagem, reciclagem e compostagem dos resíduos,a IVAR também possui plantas industriais que geram energia elétrica de duas formas. A primeira é por meio de incineradores, que queimam cerca de 45 mil toneladas de resíduos não recicláveis por ano, a temperatura de 1000 graus, com tecnologia que emite baixas quantidades de gases poluentes. A segunda é por meio de digestores, que decompõem a matéria orgânica proveniente do lodo das Estações de Tratamento de Efluentes (ETR). Essa digestão anaeróbia gera cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos de biogás por ano, o suficiente para abastecer 4.000 carros que rodem até 15.000 km/ano.
Fonte: Mais Verde










