Brasil, Bolívia e Paraguai assinam acordo para conservação do Pantanal

O agronegócio avança no desmatamento e mantém apenas a floresta no entorno das nascentes de rios (Jonne Roriz/VEJA)

Na data em que se comemorou o Dia Mundial da Água, na última quinta-feira 22, representantes dos governos do Brasil, da Bolívia e do Paraguai se comprometeram a unir esforços para garantir o desenvolvimento sustentável do Pantanal, bioma que representa a maior superfície continental, de habitat único, do planeta, em uma área de 200. 000 quilômetros quadrados de extensão.

O documento de cooperação internacional foi assinado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o ministro do Meio Ambiente da Bolívia, Carlos René Ortuño Yañez, e o ministro de Comércio Exterior do Paaraguai, Didier Olmedo. A solenidade foi um momento político, com o reconhecimento da necessidade de preservação do bioma compartilhado entre as três fronteiras, mas a partir de agora medidas práticas precisam ser tomadas para que investimentos e planos de conservação saiam do papel e sejam executados.

Movimento capitaneado pela ONG WWF, o diretor executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, afirmou que o Pantanal, como qualquer área natural, desconhece limites geopolíticos: “Milhões de pessoas e uma biodiversidade única dependem dos serviços ecossistêmicos dessa região. Em um cenário onde 55% da região das cabeceiras do Pantanal já foi desmatado, esse tipo de iniciativa para uma gestão integrada e transfronteiriça das águas é fundamental para um futuro de paz e segurança hídrica.”

No começo de março, a reportagem de VEJA acompanhou a ONG na Jornada da Água, que percorreu o caminho entre as nascentes do Rio Paraguai até o Pantanal. A região das cabeceiras do Pantanal sofre a pressão do avanço do agronegócio com o desmatamento, que deixam desprotegidas as áreas cruciais para a preservação do bioma como um todo. Além disso, há o risco da instalação de uma hidrovia ao longo do Rio Paraguai, que pode alterar o ciclo dos períodos de seca e cheia para priorizar as melhores condições para a navegação, o que impacta no ecossistema como um todo.

De acordo com o secretário de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa, o desafio é grande, ter mais recursos financeiros é importante, mas o principal é a organização das partes interessadas. “O próximo passo será definirmos o plano de trabalho. Vamos fazer o que pudermos, seja dentro ou fora do governo”.

Com a saída do ministro Sarney Filho da pasta no começo de abril, para lançar a candidatura ao Senado, há incertezas quanto a como será a composição da próxima equipe. A VEJA, o ministro Sarney Filho afirmou que o compromisso não ficará apenas no papel, mesmo com a sua saída do ministério.

Com a mudança no governo, há um receio de que retrocessos na área ambiental aconteçam até o período de eleições. “As ONGs e a sociedade civil estão com uma preocupação maior do que a minha. Durante a minha gestão, o presidente teve uma sensibilidade com o meio ambiente, recuperamos orçamentos para os órgãos ambientais, conseguimos avançar em todas as áreas da pasta. A política ambiental não é uma agenda de governo, é de Estado. Será um dos legados importantes do governo Temer. Não acho que ele vai ceder à pressão para ter retrocessos na gestão”, disse.

Fonte: Veja

 

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