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Sustentabilidade nos negócios ou negócios na sustentabilidade?

Um grande desafio do mundo corporativo atual, principalmente para as micro e pequenas empresas ou de pequeno porte, vem sendo incorporar ações de sustentabilidade em seus negócios, além da tão conhecida responsabilidade social.

Há uma visão, que se tornou senso comum, de que ações desse porte são caras, complexas e trazem retorno somente para as grandes corporações. Entretanto, já se podem ver recentes mudanças nesta postura, a partir do momento que são incorporadas ações de produção mais limpa, consumo consciente e voluntariado corporativo, nas instituições que visam a competitividade e atendem à uma demanda de mercado. Vale lembrar que a incorporação de tecnologias limpas será sempre uma excelente solução, mas que na maioria das vezes não é condizente com a capacidade e prioridade de investimento das instituições.

O primeiro passo do empreendedor é entender como esses conceitos se encaixam dentro do seu negócio. O segundo é compreender que toda instituição é consumidora de insumos, tais como energia elétrica, água, papel e demais matérias-primas, e que é possível obter ganhos por meio do consumo sustentável e do descarte adequado dos resíduos. O terceiro é saber quais ações são passíveis de serem incorporadas à gestão, ao dia a dia da instituição e à vida dos colaboradores.

Ações simples, como criar indicadores de consumo, sensibilizar e promover campanhas educativas aos colaboradores trarão bons resultados. A criatividade possibilitará investimentos irrisórios, além de demonstrar que a missão e visão da instituição não é só uma bonita menção ao desenvolvimento sustentável.

As ações sociais podem surgir por meio de campanhas e gincanas de voluntariado, da promoção da cidadania dos colaboradores ou da relação com as comunidades direta ou indiretamente impactadas pelo negócio, além da adoção de atitudes éticas com fornecedores e clientes.

Promover um ambiente de trabalho saudável e agradável traz uma melhor qualidade de vida para todos os colaboradores, podem-se ter ações como a promoção da carona solidária, o incentivo ao uso de bicicletas, além de divulgação de receitas de alimentação saudável e dicas para uma boa convivência e que não dependem de grandes aportes financeiros.

O proveito virá quando a instituição der notoriedade dessas ações através da sua rede de publicidade e relacionamento, onde a mídia aberta e as redes sociais são excelentes aliadas. Lembrando sempre que enquanto gestor e empreendedor é importante dar o seu exemplo, o que é sempre um bom começo, para que os demais colaboradores da instituição tenham comportamentos e atitudes semelhantes.

Por fim, quem sabe na promoção da sustentabilidade em seus negócios você poderá descobrir negócios em meio à sustentabilidade.

 

Luana Romero Moulin Teixeira – Project Management Professional (PMP®)/Gerente Geral de Projetos do Grupo IDEIAS/Membro do Instituto Líderes do Amanhã

 

O Mercado Ambiental de Bens e Serviços

A Consultora e Pesquisadora do Instituto Ideias Cecília Häsner, concedeu uma entrevista à Revista “O Empresário”, de Santa Catarina abordando o tema bens e serviços ambientais. Confira alguns trechos! (Reportagem Mirela Vieira)

Como se define o que sejam bens e serviços ambientais, nos âmbitos nacional e internacional? Existe uma classificação padrão?

Não existe até o presente momento uma definição clara sobre bens e serviços ambientais, porém é possível destacar ao menos três abordagens principais: a tradicional, a classificação de produtos ambientalmente preferíveis e os bens e tecnologias amigáveis com o clima. Segundo a visão tradicional, imposta pelos países desenvolvidos, os bens e serviços ambientais estão focados na solução de problemas ambientais, conhecidos como tecnologias “fim de tubo”, pois visam remediar os impactos gerados pelas indústrias poluidoras e não contemplam tecnologias de prevenção, ademais, não inclui produtos e serviços que são de interesse para países em desenvolvimento e mega diversos, como o Brasil. Já os produtos derivados do manejo e uso sustentável da biodiversidade fazem parte dos Produtos Ambientalmente Preferíveis (EPPs), definido pela UNCTAD. A sugestão do Banco Mundial de incluir os bens e tecnologias amigáveis com o clima na liberalização comercial de bens e serviços ambientais tem o foco de estimular o uso e o desenvolvimento de produtos, tecnologias e serviços relacionados com a mitigação do efeito estufa, ou seja, com a diminuição das emissões de dióxido de carbono. Esta última proposição tem motivado o surgimento de várias iniciativas, tais como a “Iniciativa Economia Verde”, proposta pela PNUMA, ou pelo movimento de “patentes verdes” da OMPI, onde se percebe que as tecnologias verdes são o principal motor para uma mudança global voltada para o desenvolvimento sustentável.

Já existem mensurações sobre o tamanho do mercado de bens e serviços ambientais? Quais as projeções em termos de números para este mercado no Brasil e no mundo?

Devido a falta de entendimento do que é um mercado de bens e serviços ambientais, não existe uma mensuração sistemática nos países. Nos Estados Unidos a Environmental Business International Inc. gera relatórios anuais do mercado ambiental e do mercado do cambio climático, porém são fontes de difícil acesso, pois são pagas e o valor cobrado é bastante alto. No estudo que realizamos no Espírito Santo em 2010, adquirimos estes dados para poder ter uma noção real do tamanho do mercado ambiental e os dados são bastante coerentes com o descrito na literatura. A projeção do mercado ambiental mundial em 2009 foi de 772 bilhões de dólares, sendo que 76% do mercado estavam concentrados nos EUA, Europa e Japão. A América Latina ficava com uma parcela de 4%, sendo o Brasil o país de maior relevância nesta região com um volume de 15,9 bilhões de dólares. Já os estudos realizados no estado do ES mostraram que a economia de BSA movimentou em 2009 1,74% do PIB estadual, ou seja, 1,21 bilhões de reais, sendo a gestão de resíduos sólidos o principal setor. O mais animador é que as taxas de crescimento deste mercado são muito elevadas em países em desenvolvimento, principalmente na Ásia. O Brasil também possui taxas altas, um crescimento estimado entre 10 e 12% anual. Porém, é importante destacar que o Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, possui uma balança comercial negativa para bens ambientais, ou seja somos dependentes da tecnologia verde estrangeira!

Mesmo tendo sediado dois dos mais importantes fóruns de debate mundial sobre meio ambiente – a Eco-92 e, no ano passado, a Rio+ 20, o “mercado verde” patina no Brasil. Quais os principais obstáculos para destravar este mercado e que ações devem ser tomadas para estimular e incentivar os negócios “verdes” no país?

Deve ser levado em consideração que o Brasil possui uma economia intensiva em recursos naturais e dependente de bens ambientais estrangeiros, tais como as tecnologias de energia eólica, equipamentos para tratamento de resíduos, entre outros. O Brasil lutou muito para colocar o etanol de cana-de-açúcar produzido por fermentação no mercado global, porém somente agora está produzindo etanol de 2ª geração (proveniente do bagaço da cana), ou seja, o foco no desenvolvimento econômico do país deve estar alinhado com as tendências de mercado global e não somente nos interesses comerciais de determinado setor no país. Outro ponto importante a considerar é que o maior estímulo ao mercado ambiental está nas compras governamentais e nas legislações, as quais fomentam práticas sustentáveis como o reuso de água nas indústrias ou a co-geração de energia, estimulando assim a implantação de painéis solares ou aerogeradores de energia elétrica. Em termos de obstáculo é recorrente a menção da carga tributária elevada no país, a falta de incentivos fiscais do setor, além da falta de organização do setor.

O Espírito Santo saiu na frente com a realização de estudos visando os negócios no setor. Pelas minhas pesquisas, é o único estado que tem uma Associação de empresas de bens e serviços ambientais e uma organização (o Instituto Ideias) dedicada a estimular o desenvolvimento sustentável. Como foram desencadeadas estas ações, o que foi feito até aqui e quais as perspectivas em termos de estímulo ao mercado?

A AEIMA – Associação das Empresas e Instituições do Mercado Ambiental foi formalizada em janeiro de 2012 e já temos mais de 17 associados. Esta associação foi resultado de todo um esforço de Tereza Romero e do Instituto Ideias em alavancar o mercado ambiental do estado. O estudo da oferta de bens e serviços ambientais do ES realizado em 2010 teve como desdobramento a criação de um grupo de profissionais da área ambiental que viram a necessidade de se organizar para fortalecer e promover este mercado no estado.  O resultado desta Pesquisa de Oferta de Bens e Serviços Ambientais mostrou que uma das características do setor ambiental capixaba é a concentração do mercado em serviços ambientais (80% do mercado), principalmente consultorias ambientais, o que implica uma carência na oferta de produtos destinados a solucionar problemas ambientais ou contribuir com a política de resíduo zero. A área de saneamento foi apontada como a mais significativa na contribuição do faturamento do mercado, porém está concentrada em empresas públicas ou de economia mista. Nas empresas privadas, o mercado está concentrado na gestão de resíduos sólidos e na reciclagem. O resultado também mostrou que somente 39% das empresas que comercializam bens e serviços ambientais possuem algum tipo de certificação de qualidade e 61,5% delas não possui nenhum tipo de certificação, Dentre as certificações enumeradas, destacam-se a ISO 9000 seguida da certificação PRODFOR (Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores do ES). Os pontos críticos principais foram a falta de organização do setor, a falta de agilidade nos processos de licenciamento e na fiscalização, falta de um marco regulatório sobre bens e serviços ambientais e falta de incentivos fiscais.

Cecília Hasner é Bióloga, especialista em gestão ambiental e Mestre em Propriedade Intelectual e Inovação. Atua como Consultora e Pesquisadora do Instituto IDEIAS e é sócia-diretora da empresa PROSPECTIVE Inovação Tecnológica e Ambiental.

Confira esta edição da Revista O Empresário aqui!

Impactos e oportunidades do novo Marco Legal para os Resíduos Sólidos

Por Tereza Romero

O Brasil possui, desde 02 de agosto de 2010, um Marco Legal para os Resíduos Sólidos. Durante muitos anos, o assunto foi objeto de discussões entre o setor produtivo, o setor público e a sociedade civil sem, contudo, culminar em acordos que satisfizessem a todos os interessados.

Após muitos trâmites, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305). Menos de seis meses depois, a lei foi regulamentada pelo Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010.

Essa política traz duas principais inovações: o princípio da responsabilidade compartilhada e o conceito da logística reversa. Por meio destes, não somente os governos federal, estadual e municipal, mas toda a cadeia de produção e consumo torna-se responsável pela gestão do ciclo de vida dos produtos.

O Governo Federal, além de elaborar o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, assume agora um papel fundamental no estímulo aos estados e aos municípios para que cumpram as suas atribuições, principalmente com apoio técnico e financeiro. Estados e municípios, por sua vez, de acordo com a nova lei devem: (i) elaborar, em um prazo relativamente curto, seus Planos Estaduais, Regionais ou Municipais; (ii) definir os responsáveis pela elaboração – obrigatória – de seus Planos de Gerenciamento de Resíduos e exercer o controle sobre tais planos; e (iii) abordar os aspectos dos resíduos gerados pelos equipamentos públicos, tais como escolas e unidades de saúde de gestão estadual ou municipal.

No campo privado, a lei elegeu setores produtivos que apresentam resíduos perigosos em seus componentes – agrotóxicos, pneus, eletroeletrônicos, pilhas e baterias, óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes – para estruturar seus sistemas de logística reversa.

Dado o caráter recente da implementação do Marco Legal, ainda é cedo para avaliar seu impacto, mas o desafio é certamente grande. O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), a ser implementado pelo Governo, aglutinará os dados e controlará as metas definidas pelos setores públicos e privados, assim como informará a sociedade sobre a adequada gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil.

A pergunta que resta é: quem arcará com os custos da logística reversa? Enquanto essa questão não chega a uma solução equilibrada, vários são os estudos e proposições em elaboração. Cabe ressaltar que, até então, pouco se investiu no Brasil em pesquisa para produção de equipamentos e processos que possibilitem a recuperação de forma eficiente e eficaz de materiais.

Nesse cenário, podem-se identificar oportunidades como a criação de novos empregos e a necessidade de novos fornecedores de bens e serviços para atividades como elaboração de projetos e planos de gerenciamento de resíduos, serviços de coleta, destinação final, gestão, administração de sistema e de logística, reciclagem, triagem e beneficiamentos primários e finais. As oportunidades estão relacionadas a um mercado em ascensão, mas, sobretudo a um novo modelo de sociedade, que deverá privilegiar processos produtivos mais limpos e gerar mais qualidade de vida. Para isso, será preciso que o caminho trilhado assegure o interesse social, financeiro e ambiental de todos os envolvidos.

Tereza Cristina Romero é Diretora-presidente do IDEIAS

 

Saia da mesmice (ou como não desperdiçar oportunidades)

Por Joubert Cunha

Gosto muito de pensar nas atitudes dos homens no seu dia a dia. Neste período de eleições esta sensação sempre é maior. Fico matutando nas poucas e boas oportunidades que a vida nos dá e penso que para os candidatos, principalmente dos futuros chefes do executivo – prefeitos – o grande momento é único para dar um basta na mesmice da política

Dar um basta na mesmice da corrupção, dos desmandos, do enriquecimento ilícito, do favorecimento a grupos políticos, à família. Fico pensando, também, como esta “mesmice” é extremamente danosa ao meio ambiente, às pessoas e ao planeta. Neste meio século de vida acredito que não aprendi ou conclui muita coisa, mas, das poucas, uma eu não abro mão: não acredito em vida após a morte. Isso é bom ou ruim? Penso que pra mim foi bom. Pois assim iniciei um processo de valorização de tudo que me rodeia, às coisas mais simples; as amizades, à vida…

Por tudo isso, quero convocar os futuros políticos para não deixarem de aproveitar essa “boa oportunidade” que estão recebendo e jogar por terra o lugar comum, as mesmices…

Aproveitem para fazer do seu mandato um instrumento de transformação, de cuidado com o ser humano, de cuidado com todas as coisas do planeta.

Penso também que o cargo não deveria se chamar “prefeito” e sim “cuidador”. Afinal, quem ama cuida. É assim que eu vejo o mundo. Estamos sempre perdendo a oportunidade de sermos mais inteligentes. Corrupção, a meu ver é burrice…

Podem me chamar de sonhador.

Mas, quem nunca sonhou?

Joubert Cunha – Membro da Equipe IDEIAS e membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente – CONDEMA


Mercado de bens e serviços ambientais: desafios e oportunidades para a América Latina

Por Cecilia Häsner e Tereza Cristina Romero

Este artigo aborda o panorama do mercado de bens e serviços ambientais (BSA) no mundo, na América Latina e no Brasil, bem como a experiência do estado do Espírito Santo (Brasil) na realização de um estudo pioneiro sobre a oferta de bens e serviços ambientais. Além disso, esta análise buscará identificar os principais pontos críticos e oportunidades deste setor.

Segundo a Environmental Business International Inc., o mercado ambiental mundial movimentou US$ 772 bilhões em 2009 e está concentrado nos países desenvolvidos (PDs) – sendo os Estados Unidos da América (EUA) responsáveis por 37% deste mercado, seguidos da Europa ocidental, com 27%, e do Japão, com 12%. A participação da América Latina corresponde a 4%, com valor similar ao da China. O Brasil domina o mercado latino-americano de BSA, uma vez que responde por 47% (o correspondente a US$ 15,9 bilhões). O México encontra-se em segundo lugar, com 20% do mercado ambiental da América Latina.

A base de cálculo para projetar o volume do mercado ambiental considera a classificação tradicional de BSA. Posto que esta tipologia é fundamentada em bens voltados à solução de problemas ambientais e não inclui produtos e serviços de interesse para países em desenvolvimento (PEDs) e megadiversos.

Segundo a Environmental Business International Inc, existem três categorias no mercado de BSA: equipamentos, dentre os quais se destacam produtos químicos e equipamentos para tratamento de água; serviços, principalmente aqueles relacionados com gestão de resíduos; e recursos, setor que envolve a rede de abastecimento de água e a produção de energias limpas. O segmento de serviços é o maior em termos de montante: em 2009, o setor movimentou US$ 142,5 bilhões.Em termos de taxas de crescimento, o mercado ambiental apresentou uma grande variação nestes últimos anos, chegando a taxas negativas em 2008 e 2009 para alguns países ou regiões.

Este resultado pode ser explicado pela influência da crise econômica de setembro de 2008. Em geral, observam-se taxas de crescimento menores nos PDs, comparativamente aos PEDs. Essa constatação revela uma saturação do mercado ambiental nos PDs, o que reforça o interesse desses países na abertura comercial para outras regiões.

A América Latina apresentou taxas superiores a 10%, superando a Ásia em 2008, porém a região teve uma queda brutal de seu crescimento em 2009, como reflexo da crise econômica mundial. A alta taxa de crescimento observada nos PEDs mostra um mercado em plena expansão. Dados sobre o volume do comércio de produtos e tecnologias amigáveis com o clima mostram um crescimento similar ao exposto aqui, com taxas de crescimento anual entre 7 e 14%2, tendo um impacto positivo nos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) por meio do aumento na transferência de tecnologia de produtos relacionados à produção de energias renováveis.

No Brasil, o mercado ambiental cresceu acentuadamente a partir de 2000, à exceção de uma queda em 2009, em decorrência dos impactos da crise econômica de 2008; o referido mercado passou de US$ 3,77 a 17,21 bilhões.

O balanço comercial para o ano de 2007 no mercado ambiental foi bastante favorável aos PDs: tanto a Ásia como a América Latina aparecem como importadores líquidos de BSA. Por meio desse dado, é possível compreender o posicionamento dos PDs na Organização Mundial do Comércio (OMC), isto é, pressionar pela liberalização do comércio de BSA, a fim de ampliar o acesso a mercado para a sua já consolidada indústria ambiental.

Conhecendo o mercado ambiental: a experiência do estado do Espírito Santo

O estado do Espírito Santo realizou a pioneira Pesquisa sobre a Oferta de Bens e Serviços Ambientais, que faz parte do Plano Estratégico de Negócios Ambientais Amigáveis com o Clima. O estudo concluiu que o volume do mercado ambiental em 2009 chegou a movimentar R$ 1,2 bilhão (1,86% do Produto Interno Bruto do estado), sendo 80% em serviços ambientais, com participação maior do setor de resíduos sólidos. A pesquisa também apontou para a importância das micro e pequenas empresas no peso relativo em termos de número de empresas, enquanto que as empresas de médio e grande porte possuem um peso relativo maior no faturamento e na geração de emprego deste setor ambiental.

O tipo de BSA ofertado pelas empresas contempladas na pesquisa resultou na identificação de 148 produtos e serviços, agrupados em diferentes categorias, conforme a classificação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As áreas que mais se destacaram são gestão de resíduos sólidos; consultoria e educação ambiental; materiais recicláveis; e monitoramento e avaliação ambiental.

Os principais pontos críticos identificados na referida pesquisa foram: i) carga tributária elevada; ii) licenciamento ambiental e fiscalização; iii) acesso a linhas de créditos específicas para a área ambiental; iv) desconhecimento sobre o tema de BSA, tal como conceitos e classificação em conformidade com os códigos nacionais de atividades econômicas (códigos CNAE); v) falta de organização do setor; vi) acesso a tecnologias; e vii) aspectos culturais e de mercado em geral, como a dificuldade das empresas investirem em tecnologias limpas ou em eficiência energética relacionadas a mudança climática ou preservação ambiental.

Muitos desses pontos críticos também foram apontados em um estudo similar realizado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), cujo objetivo foi estudar o mercado ambiental do ponto de vista da demanda e o nível de oferta que Argentina, Chile, Colômbia e México dispunham para suprir essa demanda. Uma das conclusões principais desse estudo é a necessidade de revisar a estrutura institucional e o marco regulatório existentes, com a finalidade de criar um setor de empresas que ofereçam BSA capazes de responder à real demanda ambiental de acordo com o porte das empresas.

Esse desafio também é apontado pela Pesquisa de Oferta de BSA realizado no ES. Dessa forma, pode-se concluir que o mercado de BSA no ES é similar a outras economias da América Latina, dependente de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento deste setor, bem como a falta de organização institucional deste.

Tanto nos estudos da Cepal como na pesquisa realizada no ES, são evidentes os desafios impostos à América Latina com relação ao tema de BSA. Ao mesmo tempo, tais obstáculos transformam-se em grandes oportunidades de negócios ambientais, fomentando o mercado verde. Ainda, é possível destacar outras oportunidades para a América Latina, tais como o estímulo ao desenvolvimento local, a atração de investimentos e o maior desenvolvimento tecnológico, o que repercute na independência de tecnologias importadas.

Considerações finais

O panorama mundial do mercado ambiental apresentado neste artigo mostra um nicho de mercado promissor – principalmente para países como o Brasil. Todavia, o setor de BSA carece de informações mais precisas sobre a real demanda e oferta nos países latinos, bem como de estudos sistemáticos que forneçam indicadores de desempenho do mercado ambiental.

Nesse sentido, a pesquisa realizada no ES serve de subsídio para conhecer melhor o perfil das empresas que trabalham no setor de BSA, na medida em que identifica pontos críticos e oportunidades em comum com os demais países da região. Fica clara a necessidade de organizar o setor de BSA e traçar políticas públicas que fomentem este mercado na América Latina para poder estabelecer metas precisas de liberalização comercial de BSA no âmbito da OMC.

Cecília Hasner é Especialista em gestão ambiental e Mestre em Propriedade Intelectual e Inovação. E Consultora e Pesquisadora do IDEIAS.

Tereza Romero é Arquiteta especialista em gestão de projetos na área de resíduos sólidos e diretora-presidente do IDEIAS.

 

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